Eu realmente não sabia o que fazer,para mim o mundo tinha acabado, a única coisa real, verdadeira,era a dor constante e inalterável. Eu sabia que isso passaria, mas porque não passava? Porque não conseguia demover minha vida nem um centímetro daquele pesadelo terrível?Eu não sabia como lidar com aquilo.Eu só sabia de uma coisa: Eu tinha que voltar pra casa, mas não conseguia obrigar minhas pernas a darem um só passo nessa direção.Mas era preciso. Já era quase noite , e eu não havia notado, mas faziam horas desde que eu saíra em carreira desabalada de minha casa.Reuni as forças que eu não tinha mais e fui me preparar para assistir ao tenebroso espetacúlo que meu pai seria protagonista e que eu não queria de forma alguma ser coadjuvante.
Ao aproximar-me de casa vi a platéia que já se formava,centenas de expectadores haviam vindo prestar condolências a nossa família para depois sairmos juntos e assistir o funeral.Abri caminho em meio as muitas pessoas e vi minha mãe chorando inconsolavelmente e corri ao seu abraço.
-Filha onde esteve?estava tão preocupada com você!
-Mãe ele se foi.Cadê ele?Eu o amo, por favor não o deixe partir.
Minha mãe me abraçou forte e pediu calma. Eu sabia que ela estava tão abalada quanto eu, mas ela sabia o que fazer e eu não , e esse era nosso diferencial